APARTIDARISMO E IDEOLOGIA: Réplica da chapa Reação para o DCE da USP 2012 e do Movimento Liberdade USP

Após lermos o recente texto de ataque, de nome “Apartidarismo e Ideologia”, assinado pelo estudante Guilherme Riscalli (graduando em Filosofia pela USP), e publicado no site da corrente “Juntos!” (antigo Movimento Esquerda Socialista) do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), acreditamos ser necessário nos posicionarmos a respeito dos pontos levantados e de algumas inverdades existentes no texto.

O texto em si, se caracteriza como um ataque contra a chapa Reação, e diversos outros movimentos similares a nível nacional (nominalmente, a Aliança Pela Liberdade – vencedora das eleições do DCE da UnB; a chapa ONDA – vencedora das eleições do DCE da UFMG, e a chapa DCE-Livre/MEL-RS – vencedora das eleições de 2009 para o DCE da UFRGS), no qual busca-se afirmar que “esses grupos emergentes” não se enxergam como parte de uma “diversidade política” e negam a existência “de uma partição específica num coletivo social”, dando a entender que estes grupos de alguma forma promovem a exclusão da participação de outros grupos que possuem opiniões contrárias.

Além disso, o texto volta a repetir a principal acusação e arma de campanha das últimas 3 gestões do DCE (compostas pela corrente Juntos do PSOL e  pelo PSTU) contra os grupos e chapas que lhes fazem oposição: a alegação de uma suposta “ligação óbvia desses grupos com os partidos conservadores (PSDB, DEM e PP)”, que para essas gestões do DCE, “escondem suas intenções e fazem da política uma questão meramente técnica (quer dizer, de eficiência)”.

Tendo em vista a gravidade dessas acusações e o caráter central que estes pontos tem nas idéias e princípios que motivam a chapa Reação e o Movimento Liberdade USP, cabe a nós respondermos novamente a essas questões.

Em primeiro lugar, a chapa Reação e seus integrantes de forma nenhuma acreditam não serem elementos de uma diversidade política no Movimento Estudantil e na comunidade da Universidade de São Paulo.

Ao contrário do que diz o texto, nossa motivação para compormos o nosso grupo e para concorrermos ao DCE da USP é justamente se sentir parte de uma diversidade política a qual é constantemente desrespeitada e mesmo combatida a unhas e dentes pelos setores tradicionais do Movimento Estudantil (entre eles os integrantes da corrente Juntos, do PSOL, que atualmente controla o DCE da USP), os quais muitas vezes buscam acusar a “Reação” de não ser parte do Movimento Estudantil.

Concorremos e participamos, justamente por discordar da idéia de que a oposição a um ou outro grupo político deve ser “exterminada” e por não acreditar que o Movimento Estudantil e os diversos estudantes da Universidade de São Paulo possam ser representados por um só grupo político ou por alguns poucos grupos político-partidários de ideologia similar.

Sabemos que não representamos a totalidade dos estudantes da Universidade de São Paulo e por isso mesmo, defendemos, eleitos ou não para o DCE da USP, a consulta direta aos estudantes por meio de plebiscitos como forma de reforçar a representação dos estudantes.

Nossa prática é a do dialogo e a do trabalho conjunto com os mais variados setores da Universidade de São Paulo e do Movimento Estudantil, para a construção de um ambiente mais democrático.

Isso se comprova em nossa atuação nos CCAs, na qual buscamos estabelecer diálogos com todos os setores presentes, até mesmo aqueles ligados a esquerda tradicional do ME e respeitando a diversidade de opiniões, coisa que não pode ser dita da atual gestão do DCE. Também se comprova na forma como conduzimos todos os atos e manifestações que auxiliamos a construir, na qual nunca negamos voz aos representantes do DCE e a integrantes dos grupos que se opunham a nós.

Se cabe a alguém a acusação de promover a exclusão da participação de outros grupos que possuem opiniões contrárias, é a própria gestão do DCE, que em mais de uma ocasião buscou reprimir e silenciar grupos opositores, chegando a isolar setores da própria esquerda do movimento estudantil e, mais recentemente, excluir dois dos mais ativos e tradicionais centros acadêmicos da Universidade de São Paulo (O CAVC – da FEA-USP; e o Grêmio Polítécnico- da POLI-USP) de compor a Comissão que iria gerir o DCE após o fim do prazo regulamentar da gestão “Todas as Vozes” do DCE da USP.

Vale também recordar que é este mesmo grupo, que acusa outros de autoritarismo, que há pouco tempo atrás buscou silenciar os Representantes Discentes e tolher a diversidade no Movimento Estudantil ao buscar obrigar os Representantes Discentes a votarem de acordo com as vontades da gestão do DCE, sob pena de cassação de seus mandatos.

Sobre a acusação de ligação “óbvia” com os “partidos conservadores”, (citados nominalmente como sendo PSDB, DEM e PP) – acusação a qual é repetida e divulgada desde 2009 – a chapa Reação e o Movimento Liberdade USP já se declararam publicamente e de forma transparente em mais de uma ocasião, coisa que não pode ser dita sobre a atual gestão.

Quanto ao último, o Movimento Liberdade USP, é necessário deixar claro que não há nenhum integrante vinculado a qualquer partido político brasileiro, fato comprovado por múltiplas declarações emitidas pelo TSE, as quais comprovam a não filiação dos seus membros.

Quanto a chapa Reação, é público e declarado abertamente pela própria chapa, que entre os 61 membros inscritos da chapa Reação (e mais de 100 colaboradores e apoiadores), há apenas 6 pessoas que possuem alguma vinculação partidária (sendo um, um Ex-filiado do PV e os outros 5 filiados do PSDB – e nenhum do PP ou do DEM), sendo que nenhum destes possuem qualquer cargo ou participação na direção destes partidos (ao contrário da chapa ligada a atual gestão do DCE). Cabe também citar que, por deliberação do grupo, apenas 1 destes poderá ocupar cadeira de representação discente ou cargo executivo na gestão.

De forma alguma nos pretendemos como uma chapa “apolítica”, “imparcial” ou uma chapa desprovida de ideais. Mas fazemos sim questão de nos diferenciar de grupos e gestões do DCE, que embora no texto aleguem falsamente lutar contra o partidarismo que eles mesmos praticam, aparelharam o movimento estudantil e o DCE, e que em sua composição possuem integrantes da direção e funcionários de um partido político.

Fazemos questão de nos diferenciar de grupos que fazem uso de instalações e sedes de partidos políticos para suas reuniões. Fazemos questão de nos diferenciar de grupos que recebem apoio material e financeiro de partidos políticos e fazemos questão de nos diferenciar de grupos que utilizam o DCE da USP e suas atividades não para a promoção do Movimento Estudantil, mas sim para o recrutamento de integrantes para seus partidos políticos.

Fazemos questão de citar que não nos sentimos representados por nenhum Partido Político brasileiro, que com estes não possuímos nenhum vínculo e destes possuímos plena independência

Fazemos sim, questão de citar, que simples fotos com indivíduos das mais variadas orientações ideológicas (indo desde integrantes da esquerda como Heloísa Helena e Netinho de Paula, até integrantes da “direita”, como Geraldo Alckmin e Paulo Maluf), tiradas para entretenimento pessoal, não implicam em filiação partidária e não se comparam ao uso da estrutura de partidos nas eleições do DCE e uso das entidades estudantis para promoção e construção de partidos políticos.

E fazemos questão de dizer tudo isso porque condenamos tais práticas no Movimento Estudantil, não só em nosso discurso como também em nossa prática.

Nossa crítica aos setores tradicionais do Movimento Estudantil não é por terem posições políticas ou mesmo por terem integrantes de partidos entre seus membros. Nossa crítica é pelo aparelhismo que estes promovem no DCE da USP e pela falta de pluralidade e democracia destes em aceitar a existência e a manifestação de opiniões divergentes as suas.

Como dito pelo nosso colega Saulo Said (da UnB), “não somos chapa branca, ou neutra, nem a representação de todos, simplesmente porque não acreditamos em nada disso. A política universitária se caracteriza por uma infinidade de questões (tais como segurança, assistência estudantil, regras de convivência, financiamento de pesquisas, infra-estrutura entre inúmeras outras) e em todas elas os estudantes se dividem. As diferenças são tanto de prioridades (ou seja, dos fins últimos das políticas) como diferenças técnicas (ou seja, divergências quanto ao resultado esperado de uma dada política)”.

Concorremos ao DCE e manifestamos nossas opiniões não para construir partidos políticos externos a universidade. E não nos assumimos como neutros. Somos um grupo político, sim. Motivado contra o aparelhismo nas entidades estudantis e contra o abandono das questões primordiais e de imediata necessidade dos estudantes em prol de bandeiras políticas que mais beneficiam grupos externos a USP do que aos estudantes.

Não acreditamos que seja prioridade do DCE realizar debates sobre a Copa do Mundo para recrutar militantes para o “Juntos”. Não acreditamos que os campi do interior devam ser “dirigidos” por estudantes de Ciências Sociais e Nutrição do campus da capital, nem que alguns dos Centros Acadêmicos mais tradicionais da USP devam ser excluídos do Movimento Estudantil. Assim como não acreditamos que com greves, invasões e depredações dos espaços da USP se conseguirá qualquer melhoria para a universidade.

E é isso que nos diferencia de nossos críticos.

Rodrigo Souza Neves
Secretário Geral da Chapa Reação
Vice Presidente e Membro Fundador do Movimento Liberdade USP.
Graduado em História pela USP e graduando em Gestão de Políticas Públicas pela USP.

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2 Respostas para “APARTIDARISMO E IDEOLOGIA: Réplica da chapa Reação para o DCE da USP 2012 e do Movimento Liberdade USP

  1. DCE Livre UFRGS
    Somos a resposta dos bons alunos ao uso político e eleitoreiro do DCE’s, dos Diretórios Acadêmicos e da Representação Discente por esse Brasil a fora. Somos grupos de alunos que querem concluir seus cursos e conseguir boas oportunidades na vida.

    Representamos os alunos de verdade, pois não queremos as vagas de representante discente para defender políticas do Governo Federal ou ideologias de partidos políticos, mas para trabalhar por um ensino melhor e melhores condições de estudo para os colegas e para nós mesmos.

    Usamos da internet como uma excelente ferramenta prática para identificar a vontade dos estudantes. Por isso, defendemos eleições pelo PORTAL DO ALUNO e as pesquisas de opinião On-line. Ganhamos experiência e hoje somos representantes discentes muito qualificados, e já conseguimos grandes conquistas nas nossas universidades.

    A nossa revolução é silenciosa sem gritos ou protesto pois ocorre dentro da cabeça dos estudantes quando recebem as informações e as usam para formar a sua opinião a fim de responder nossas enquetes.

    Defendemos que não se deve misturar politica acadêmica e estudantil com politica partidária, sob pena de deslegitimar as demandas dos estudantes. Mas acreditamos, sim, que é na Universidade, e não nas ruas, que devem ser formados lideres bem qualificados, futuros empresários e políticos que a nossa sociedade tanto precisa.

    Nossa intensão é bem clara, queremos criar gerações de pessoas politizadas, que ascendam na politica pelo conhecimento técnico, que possam mudar a face da politica brasileira.

    O DCE Livre é uma franquia de sucesso compre nossas ideias e ganhe seu DCE ou Diretório Acadêmico.

    Cleber Gugel Machado
    Presidente do DCE Livre da UFRGS
    Presidente do Diretório Acadêmico da Computação da UFRGS
    Conselheiro Universitário
    Representante Discente da Câmara de Graduação
    http://www.dcelivre.org

  2. Até que enfim uma resposta positiva e esclarecedora. Sempre apoiei a proposta de um DCE sem partidos políticos, não interessa quais, pois a Universidade é mais importante que palanques eleitorais.
    Sempre admirei a coerência do Rodrigo, pois falar em uma assembleia daquelas precisa ter muita coragem.
    É o verdadeiro líder da Reação. Nele sabemos que nós, estudantes que estudam, estamos devidamente representados
    Abraços e siga em frente!
    Marcio IO-USP

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