A Chapa Reação e a liberdade estudantil

“O ponto crucial dessa eleição é maior e mais importante que isso: a liberdade do estudante. É importante compreender a liberdade da parte do estudante de aproveitar a Universidade da maneira que ele deseje desde que não atrapalhe os outros estudantes de fazerem o mesmo.”

Um dos principais defeitos de uma greve de estudantes é o fato de que nem todos os estudantes tenham interesse em participar dela. Há os que discordam, os que não têm tempo e outros que, pra falar a verdade, não estão nem aí. De fato, é comum e desejável que os estudantes pensem diferente e, portanto, ajam diferente em uma Universidade. Entretanto, o “status quo” do poder estudantil parece não entender isso.

Para mobilizar os estudantes em prol de um ideal é necessário, com o perdão da redundância, mobilizá-los de fato. E se estiverem em aula, não há greve. A solução encontrada, como se sabe, são os piquetes para evitar as aulas. Mas o piquete atenta diretamente contra a liberdade estudantil, é a forma encontrada de impor à força a pseudo-mobilização sobre os estudantes.

Isso significa que a greve está errada? Não. Mobilizar estudantes não é errado, tampouco protestar é.

Essa eleição para o DCE não se trata, como querem indicar, de um embate entre os contrários à greve e à mobilização dos estudantes e aqueles que defendem a ação efetiva dos estudantes. O ponto crucial dessa eleição é maior e mais importante que isso: a liberdade do estudante. É importante compreender a liberdade da parte do estudante de aproveitar a Universidade da maneira que ele deseje desde que não atrapalhe os outros estudantes de fazerem o mesmo.

Por exemplo, a mobilização dos estudantes foi grande responsável pelo fim do Regime Militar e, principalmente, pelo impeachment do governo Collor, dois eventos importantíssimos para o início e o amadurecimento democrático brasileiro. Mas só logrou êxito porque unida e com apoio da sociedade.

Isto é, ao passo em que, além de não poderem ser estanques à sociedade, os estudantes não podem forçar uma unidade por meio de cadeiraços. Os que fazem isso acreditam estar induzindo à mobilização, mas para os que estão do outro lado das cadeiras, eles estão evitando a mobilidade. A união se perde.

Não há que se fazer juízo de valor sobre as intenções de ninguém. Há boas intenções ao se mobilizar. Basicamente, melhorar a USP. Os métodos para alcançar isso podem causar discordâncias, mas acreditar em maniqueísmos é temeroso.

Contudo, são atitudes como os piquetes que fazem com que a presença da Polícia Militar ou a interferência governamental e da Reitoria na vida acadêmica não sejam debatidos e não proporcionem uma verdadeira mobilização estudantil seja qual for o sentido dela, favorável ou contrária. No fim, sabemos que ela terminará com uma pseudoconstrução de unidade estudantil cujo efeito foi, ironicamente, a não participação dos estudantes na Universidade.

Não se trata de deixar de criticar a maneira pela qual outros estudantes entendam o que devam fazer de sua vida acadêmica, podemos acreditar que seja uma maneira insensata ou prejudicial de aproveitá-la. Não podemos querer que todos os estudantes façam a mesma coisa na USP e aproveitem todos da mesma maneira, no CEPE ou na biblioteca.

Queremos, sim, que todos tenham a liberdade de participar da USP da maneira que quiserem fazer isso. È disso que se trata a liberdade estudantil. Dar a todos a oportunidade de manifestar sua opinião: escrevendo artigos para um blog, fazendo mesas de debates, discursando numa Assembleia, montando uma chapa. Não há diferença de importância quanto a isso porque são todas maneiras de manifestar uma opinião.  Na nossa opinião, a função de um diretório central é tentar ao máximo representar todos esses desejos para melhorar a vida acadêmica, não impedir ninguém – de entrar em greve, de estudar ou de participar de um grupo de estudos – porque não se quer que as pessoas tenham liberdade para fazer isso.

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2 Respostas para “A Chapa Reação e a liberdade estudantil

  1. Jovens inteligentes e o principal, sensatos nesta chapa reação, todos têm liberdade de expressão, se não houver mudanças a USP caminha com jovens equivocados de praticarem democracia.

  2. O movimento estudantil na USP está apequenado. Já não mais representa as demandas vanguardistas da sociedade como um todo – e o q seria desejável de um ME decente numa universidade q é a mais referenciada do Brasil – mas apenas representa os desejos de uma minoria retrógrada e estagnada. Todos seus atos são apenas pleiteando sua própria subsistência medíocre e logram isso sobre a indiferença da grande massa estudantil, cuja inércia permite q os Dons Quixotes vermelhos ainda existam e conquistem vitórias retumbantes contra seus moinhos de vento…

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