A REAÇÃO

“Actioni contrariam semper er aequalem esse reactionem”
– Isaac Newton, 1687

Algo que já se sabe há muito tempo: para toda ação, há uma reação.

Se você controla uma entidade estudantil ignorando as visões da maioria dos estudantes eles cedo ou tarde se levantarão em revolta para fazer valer sua voz.

Se você controla uma entidade estudantil que arremessa lixo nos corredores da sua Universidade sabendo que essa não é a vontade da maioria é de se esperar que os integrantes dessa maioria se tornem indignados com seus atos.

Se você controla uma entidade estudantil silenciando os discordantes com base em ameaças físicas e morais eles cedo ou tarde irão se levantar e enfrentar aqueles que os oprimem.

Para toda ação, há uma reação. E a hora de reagirmos é agora.

É nesse contexto que é lançada a chapa REAÇÃO, uma coalizão de estudantes de grupos e cursos variados com o objetivo de inverter este cenário que domina nossa Universidade há anos, através da democracia e da legalidade.

Poderíamos começar essa apresentação elucidando o atual momento da USP e criando saídas segundo qualquer autor, segundo Jesus Cristo, das obras de Paulo Coelho ou até dos textos von Mises, mas como fazem as chapas dos
camaradas parados em 1968 vamos citar aquele velho e amado (ou nem tanto) teórico alemão. De acordo com Karl Marx, a melhor maneira de compreender um processo social é criticando-o à luz do materialismo histórico-dialético. Portanto, antes de apresentarmos a chapa e o que nos move, torna-se necessário entender o porquê da existência dessa chapa.

Ora, já parece óbvio que ela nasce exatamente da crítica do atual cenário político-estudantil da USP e fora dela. Vamos à critica, então. A situação atual do movimento estudantil pode ser definida como paradoxal ou, por que não dizer, dialética. Paradoxo que, em parte, até mesmo alguns grupos majoritários do movimento estudantil perceberam, mesmo que defeituosamente. Ao mesmo tempo em que critica duramente a política nacional pelo que podemos resumir como “sobreposição de interesses pessoais e/ou partidários em detrimento do interesse nacional”, o movimento estudantil segue o mesmo caminho. Na União Nacional dos Estudantes, por exemplo, tal paradoxo já foi percebido. A verborragia nos jornais estudantis sobre a “entrega da UNE ao governo” exemplifica tal fato com precisão. Um degrau abaixo na hierarquia estudantil, nos Diretórios Centrais e nos Centros Acadêmicos, o fenômeno é similar. Entretanto, em boa parte dos casos sobretudo na USP o grupo que critica o paradoxo evidente na UNE faz uso do mesmo programa.

O que é o governo para a UNE, são os partidos políticos para os DCEs e os CAs espalhados pelas universidades do país.

                Seria covardia de nossa parte denunciar a contradição do movimento estudantil sem apontar os atores de fato, indicando apenas generalizações. Sim, porque se falamos de partidos políticos e grupos políticos, é necessário falarmos quais são eles. Contudo, são tantos e com propostas as mais diversas que seria inútil citar-lhes apenas pelo nome. Podemos dizer, entretanto, que o movimento estudantil, está hoje nas mãos de partidos e grupos políticos radicais.

É óbvio – e o próprio leitor sabe – que estão ligados, em sua maioria, a partidos e grupos políticos de esquerda, que esperam sentados por uma revolução. Porém, há no oposto do espectro político, na extrema-direita, grupos tão ou mais danosos que os radicais de esquerda.

Não se trata aqui de crítica à esquerda ou à direita.
A crítica a ser feita é contra partidarização e a ideologização do movimento estudantil.

É necessário, contudo, dizer que a filiação a partidos políticos não é demérito nenhum. Pelo contrário: demonstra participação política, independente de ideais. Porém, é no momento em que partidos e grupos políticos usam do movimento estudantil e de seus filiados para organizar uma Universidade que pertence ao povo, a filiação partidária torna-se maléfica, como ocorre com os grupos radicais abrigados no cenário político uspiano.

Confundem-se teorias gerais da sociedade com movimento estudantil. Ao invés de ser instrumento de represen-tação os estudantes, o movimento estudantil tornou-se ferramenta política. A própria crítica que se faz a movimentos de oposição como o nosso é a de que não compartilhamos das “lutas” do DCE, da luta por uma universidade pública, gratuita e de qualidade pra todos. Embora a mesma crítica não seja feita aos estudantes, a idéia que eles têm de nós é a de que concordamos com tudo o que é feito pelo DCE, com todas as “lutas” e, portanto, devemos também tomar parte delas. Contudo, quantas vezes você foi realmente questionado e ouvido sobre uma posição que o DCE tomou?

Quantas vezes você foi questionado sobre uma ação do Centro Acadêmico da sua faculdade?

Você tem coragem de demonstrar uma opinião contrária em reuniões dessas entidades?

Os temas propostos são todos do interesse estudantil da USP?

Podemos ser mais diretos: para você, estudante, o que é movimento estudantil? Você faz parte dele?

Mas pare um pouco, pense sobre o tema e volte à leitura, se quiser. Não vamos utilizar técnicas argumentativas e responder à questão com o nosso ponto de vista como se fosse o seu. Crie o seu antes. Nós acreditamos que, hoje, só os grupos políticos do movimento estudantil são reconhecidos como “movimento estudantil”. Perceba que até eles acreditam nisso: participar do “movimento estudantil” é participar da política da universidade. O que nós propomos é que o “movimento estudantil” torne-se movimento estudantil de fato, sem aspas e com todos os estudantes. O que defendemos não é apenas democracia, não é apenas o poder nas mãos dos estudantes: é a liberdade dos estudantes opinarem.

É a liberdade dos estudantes debaterem a USP na USP, mas não apenas isso. Debater, também, São Paulo, o Brasil e o mundo na USP. É assim que transformaremos a nossa Universidade na melhor.

Melhor não para rankings universitários estadunidenses, mas para nós, os estudantes da USP.

Essa foi só a apresentação da nossa chapa. A seguir veja quem faz parte da nossa coalizão e o que pretendemos como gestão do DCE e representantes discentes dos Conselhos Centrais.

 São Paulo, 26 de outubro de 2011.

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4 Respostas para “A REAÇÃO

  1. Meus parabéns pela coragem da criação de tal chapa. Tardiamente, só os conheci hoje. Sou estudante pela História e funcionário pela FCF, e fico mto feliz por saber q finalmente há reação às ações retrógradas e impopulares da velha esquerda uspiana. Li seu programa e votarei em vcs com certeza! Parabéns!

  2. Olá, gostaria de saber se há militantes de partidos na chapa.

    Obrigado,
    André

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